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Envelhecimento e demências!

O rápido envelhecimento demográfico, as mudanças na organização da sociedade, as modificações da estrutura etária da população são desafios extremamente importantes para as pessoas, famílias e comunidade.

Existem alguns fatores que têm contribuído para o crescimento da população idosa, nomeadamente, a baixa da taxa de natalidade, os avanços da medicina, a melhoria dos cuidados de saúde, da higiene e da nutrição.

Em Portugal, a esperança média de vida aumentou de 66,7 anos para o género feminino e 61,1 anos para o género masculino, em 1960 para 82,2 e 75.9 anos, respetivamente em 1980 (European Commission,2010).

É importante salientar que existem algumas alterações com o avançar da idade, nomeadamente a nível cognitivo, mas nem sempre são sinónimos de demência.
De acordo com Freitas et al., (2019) apresentamos o quadro abaixo.

 

Pessoas com alterações devidas ao envelhecimento Pessoas com sintomas de demência
Esquece-se de parte de uma experiência Esquece-se de experiências inteiras
Frequentemente lembra-se mais tarde Raramente se lembra mais tarde
Consegue geralmente seguir instruções orais/escritas Vai deixando gradualmente de ser capaz de utilizar lembretes
Não há prejuízo significativo para as atividades do dia a dia. A perda de memória interfere com as atividades do dia a dia
Geralmente é capaz de tratar de si própria Vai deixando gradualmente de ser capaz de cuidar de si.

Quadro 1 – Adaptado de Freitas et al. (2019)

 

O envelhecimento demográfico acarreta um aumento das taxas de incidência e prevalência das demências.

Perante estes factos, surgem cada vez mais pessoas diagnosticadas com demência.

No nosso dia a dia, é cada vez mais familiar, ouvirmos, frases como:

– “Está com demência, coitado”
– O meu familiar está a ficar cada vez mais esquecido, vai ficar com Alzheimer?”
– “Devo estar a ficar com Azheimer!”

Não devemos valorizar demasiado, mas também não as devemos desvalorizar.

É muito comum, as pessoas falarem sobre demência, essencialmente, a doença de Alzheimer, mas efetivamente sabem do que se trata?

Se fosse pedido ao leitor para, sem fazer uma grande reflexão o que entendiam sobre demência, o que provavelmente diriam seria:

  • Esquecimento;
  • Memória;
  • Deixa de conhecer as pessoas;
  • Não sabe onde está …

Então o que é a demência?

O vocábulo demência deriva do latim de-mentis (de: sem, fora; mentis: mente, razão, ou perda da mente).

A demência é um dano no funcionamento intelectual, que é acompanhado por uma perda importante da memória, de alterações da personalidade e da afetividade, mas também no âmbito do reconhecimento de pessoas, de desorientação temporal e espacial e de uma incapacidade de resolver problemas ou de manifestar os comportamentos mais adequados às situações que surgem (Phaneuf, 2010).

É uma doença cerebral, crónica e progressiva que é caraterizada pela perda gradual das capacidades cognitivas e da autonomia funcional das atividades de vida diária.

 

Existem vários tipos de demência:

  • Demências Primárias (90%)
  • Neurodegenerativas (60%)  Doença de Alzheimer, Demência Frontotemporal, Demência com Corpos de Levy;
  • Vasculares (30%)
  • Demências secundárias (10%)

Surgem após outra condição médica – (tumores, hematomas, défices vitamínicos, podem ser um quadro reversível nestas situações), doenças infeciosas ou abuso de substâncias, …)

Falamos de demência de forma sucinta, pois muito mais, haveria a acrescentar, mas a nossa intenção é que fique um pouco mais elucidado sobre a mesma.